Avaliação do Cards Against Humanity

(Gonçalo) #1

O Cards Against Humanity, tal como diz na caixa, é um jogo para pessoas horríveis. Estamos a falar de pessoas que se identifiquem com o humor negro. Não é um jogo para pessoas sensíveis, e se acha que pode não ser para si, é provável que seja esse o caso. O jogo original, apesar de já ter 10 anos, existe também agora em formato online (e em português!!) sob a forma do projeto Cartas contra Tugas.

Se fizesse um pequeno esforço para descrever o Cards Against Humanity numa fotografia, talvez fosse a seguinte (clicar na imagem para focar):

:warning::warning::warning: AVISO: esta imagem tem conteúdo que pode ferir suscetibilidades. (NSFW) :warning::warning::warning:

Descrição:

O jogo consiste em várias rondas onde um jogador tira uma carta (preta) com uma frase, tipicamente uma pergunta, e outros jogadores submetem respostas a essa frase (cartas brancas) de forma a que faça sentido e que tenha piada. No final, o jogador que tirou a carta com a pergunta lê todas as respostas e escolhe um vencedor. O primeiro jogador a ganhar um certo número de rondas (ex. 10) ganha.

O segredo está nas cartas que são dadas aos jogadores como respostas possíveis, que incluem imensas referências sexuais, piadas sobre religião, referências ao Holocausto, etc. Em combinação com as perguntas sugestivas, a dinâmica do jogo permite a criação de frases absolutamente condenáveis, que em espírito descontraído entre amigos gera momentos de humor fantásticos.

Um exemplo (clicar no texto para focar):

:warning::warning::warning: AVISO: este conteúdo pode ferir suscetibilidades. (NSFW) :warning::warning::warning:

Pergunta: O que agora está mesmo na moda é ___________.
Resposta 1: Preocupar-me com o aquecimento global durante 3 minutos.
Resposta 2: Guardar crânios de animais no congelador.
Resposta 3: Dizer que me identifico como mulher para poder ir à casa de banho que me apetecer.
Resposta 4: Bater em crianças e depois culpar a paróquia da igreja mais próxima.

Número de jogadores: :man::woman: 4 ou mais (melhor: 6-10) :woman: :man:

Tipo de Jogo: :muscle: Competitivo :muscle:

A primeira pessoa a chegar ao limite de pontos é a vencedora, mas todo o jogo é uma grande maratona de entretenimento. Se tudo correr como nos jogos em que participei com tanta boa disposição, no final pouco interessa quem tem mais pontos – até é possível ultrapassar o limite sem o grupo dar conta!

Duração do jogo: :clock10: 30-90 min :clock10:

A duração do jogo depende imenso do número de jogadores e da facilidade com que os jogadores têm de compreender as perguntas e ler as respostas. Se todos forem fluentes em Inglês o passo será decididamente mais rápido.

Dependência da Língua: :warning: Total :warning:

O Cards Against Humanity, à altura da escrita desta review, apenas se encontra em inglês. Para piorar a situação, o jogo está repleto de cartas com referências populares americanas, muitas das quais nos são desconhecidas. Felizmente as cartas que não se perceberem podem ser postas de parte, mas é mau haver uma dependência não só da língua inglesa como também da cultura americana.

Simplicidade das Regras: 10/10

Não podia ser muito mais fácil. Ou se lê uma frase e se avaliam as respostas dos outros, ou responde-se a uma frase com o intuito de criar uma combinação engraçada. Há algumas cartas que exigem mais que uma resposta, mas tirando esta exceção não existem cartas especiais nem regras para ler.

Versatilidade de Equipas: 6/10

O Cards Against Humanity escala mal com o número de jogadores. A partir de um certo ponto (por volta dos 10 jogadores) o jogo torna-se incrivelmente lento, e para quem esteja a pensar já no próximo jogo que vai jogar pode acabar por esperar imenso tempo. Falo um pouco mais em detalhe sobre a dinâmica do jogo com grupos grandes na secção do conteúdo.

Elemento Social: 6/10

Gosto de jogar jogos de tabuleiro em grupo, e as reuniões de família são momentos perfeitos para tirar o pó aos jogos que precisam de grupos maiores. Neste caso, há algo de negativo a dizer sobre o Cards Against Humanity: não encaixa bem num contexto familiar. Vão sempre haver jogos mais complexos que não conseguimos jogar com toda a família, mas para colocar este jogo na mesa não podem haver crianças por perto, tal é a grotesca natureza do jogo. Assim sendo, perde alguns pontos nesta categoria do elemento social, e será um jogo mais apropriado para um grupo de amigos adultos.

Conteúdo: 5/10

Não se nota qualquer problema nos primeiros jogos de Cards Against Humanity porque existe um conjunto enorme de combinações possíveis, e em todos os jogos ouvimos sempre combinações hilariantes que ficam na nossa memória. Este acaba por ser um ponto alto e baixo do jogo, simultaneamente. Num dia um amigo faz uma combinação tão boa de cartas que resulta em várias gargalhadas no grupo, alguns até choram de tanto rir. O momento é tão marcante que se fala nisso a rir cada vez que alguém menciona o jogo. Depois de vários jogos a piada desaparece lentamente, e, no entanto, ninguém consegue igualar aquela combinação para aquela pergunta específica. Claro, vão haver muitas outras perguntas para as quais possam haver combinações fantásticas – o leitor deve começar a notar um padrão – lentamente se cria um top de combinações que são difíceis de bater.
Durante os jogos anseia-se por mais uma combinação que suba ao pódio – mas elas tardam em chegar. Quanto mais se joga e mais combinações se vêem, maior será a diferença entre uma resposta perfeita e uma resposta “média”. E vêem-se tantas respostas médias que o jogo perde lentamente a piada.

Custa-me tirar tantos pontos nesta categoria a um jogo que proporcionou das melhores gargalhadas que já dei e que já tive o prazer de criar entre o grupo, mas parece-me que pode ser uma melhor opção experimentar o jogo e vendê-lo do que arranjar um lugar permanente para ele numa coleção.

Infelizmente as más notícias não ficam por aqui. Quando todos jogam pela primeira vez é fácil estar sempre a fazer a combinação que achamos mais engraçada, ou que irá causar mais risos. Mas depois de algum tempo a jogar o jogo, passamos a conhecer melhor o sentido de humor de cada jogador, e, sendo as criaturas competitivas que somos, iremos passar a escolher a opção que achamos que o júri vai achar mais engraçada, em vez de escolhermos uma opção que todos achem engraçada. Se isto acontecer então é o início do fim, uma vez que toda a piada do jogo se perde, na minha opinião. Em vez de estarmos constantemente a rir das combinações que fazemos e ouvimos, passamos a esforçar-nos mais para entreter uma pessoa do grupo de cada vez (o júri), e a resposta “média” passa a ser muito menos engraçada, que amplia ainda mais o problema que descrevi no parágrafo anterior.

Não seria justo falar no jogo sem mencionar que a minha cópia vinha com algumas cartas defeituosas, o que parece ser um problema relativamente comum. Depois de ter visto as respostas que a empresa dá aos clientes, acabei por não querer fazer nada em relação a isso. Aparentemente é a imagem que eles querem passar :man_shrugging:

Extensibilidade: 7/10

Nada impede um jogador de Cards Against Humanity de criar mais cartas em papel e criar um novo baralho. Ou criar mesmo um jogo novo, como fizeram os autores do Cartas contra Tugas. É uma lufada de ar fresco voltar a jogar o jogo em português com referências à nossa cultura, mas de momento esta versão está apenas disponível online.

Está também disponível uma versão com referências do Reino Unido (em vez de referências dos EUA) bem como múltiplas expansões que acrescentam conjuntos temáticos de cartas ao jogo.

Classificação final: :star: 3.4/5 :star:

Preço: 25€

3 Likes
(João Pedro) #2

Tenho de experimentar jogar isto!! Dá para fazer piadas do Sporting no cartas contra Tugas? :laughing:

(Gonçalo) #3

Já joguei cartas contra tugas algumas vezes com amigos e honestamente não me lembro se havia referências de :soccer: (confesso que não é um grande interesse meu…).

Por curiosidade lá abri o site e joguei uns minutos… E não é que há mesmo!!!

17

Suponho que o cartas contra tugas nunca ia longe sem referências de futebol… :slight_smile:

(João Pedro) #4

opá melhor jogo de sempre :joy: :joy: :joy:

Pagava para ter essa versão tuga em cartas!

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(Guilherme Borges) #5

Excelente review, de novo!

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